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PROFISSÃO

A Odontologia que vai até quem não chega a ela
Por: Antonela Tescarollo


CD Alexandre Miranda (DF) e um idoso: necessidade de CD na equipe multidisciplinar


CD Dalton Costa, da ABO/ES


CD Almir Oliva Filho (RJ)

O atendimento odontológico domiciliar tem ganhado destaque, mas épreciso sempre lembrar de sua indicação e função principal: levar saúde e bem-estar para quem não pode ir até o consultório. Confira a experiência de quatro profissionais do ES, RJ e DF

Tem se falado bastante do atendimento odontológico em domicílio como a solução para quem tem uma rotina corrida e sem tempo para ir ao cirurgião-dentista. Mas os profissionais que vêm se especializando neste serviço chamam atenção para suas indicações específicas: pessoas parcial ou totalmente dependentes, que são portadores de alguma necessidade especial que impedem ou dificultam muito sua locomoção.

“Na minha opinião, a Odontologia está eminentemente ligada ao ambiente de trabalho no consultório. Assim, o tratamento odo­ntológico domiciliar deve ser oferecido apenas para pacientes com limitações para locomoção até este ambiente”, afirma o CD Dalton Costa, que desde 1990 realiza atendimentos em domicílio em Vitória (ES) e é professor de Odonto­geriatria da ABO/ Espírito Santo.

 

Não é luxo, é necessidade

Almir Oliva Filho, especialista em Odontogeriatria do Rio de Janeiro e que realiza este atendimento há cerca de 15 anos, concorda com Dalton. “Alguns profissionais oferecem este serviço como um luxo, um conforto para quem estiver disposto a pagar um pouco mais, quando sabemos que no consultório temos as melhores condições.” Muito diferente de um luxo, o atendimento odontológico em domicílio tem um papel muito importante na promoção de saúde, pois leva bem-estar e saúde bucal para quem não pode ir até um consultório. “A quantidade de pessoas nesta situação é muito grande e a maioria está completamente desassistida, portanto, existe trabalho para quem quer se dedicar à área”, completa Almir.

O cirurgião-dentista Alexandre Franco Miranda, especialista em Saúde Coletiva e Periodontia e colaborador do Centro de Medicina do Idoso do Hospital Universitário de Brasília (DF), lembra ainda de uma barreira que existe para levar atenção odontológica a esses pacientes: “É preciso orientar e esclarecer, principalmente os profissionais de saúde envolvidos no tratamento destas pessoas e seus familiares, sobre a necessidade de um profissional da Odontologia como integrante da equipe multidisciplinar para a qualidade de vida e bem-estar deste público”.

Atendimento adaptado

O atendimento odontológico domiciliar vem se aprimorando e crescendo pelo surgimento de equipamentos portáteis, que ampliam as possibilidades de procedimentos e melhoram a qualidade do serviço. Mas, embora haja muitos recursos, a prática odontológica nestes casos vai sempre depender e se adaptar ao paciente e às condições que sua situação permite.

Um exemplo disto é o trabalho desenvolvido pelo CD Humberto Soliva, especialista em Ortodontia e Ortodopedia Funcional dos Maxilares do Rio de Janeiro, que atende pacientes incapacitados. O profissional conta que começou a atender em domicílio quando uma fonoaudióloga o chamou para ajudá-la no caso de um garoto com lesão cerebral que tinha a arcada dentária bastante estreita, dentição muito atrasada e gengivas muito fibrosadas pela quantidade de medicação que havia tomado, dificultando a erupção de alguns dentes. “Optamos pela expansão lenta com aparelhos encapsulados aos dentes. Orientamos a mãe sobre como higienizá-lo e ativá-lo. Nosso acom­panhamento é trimestral e a evolução do trabalho já é sentida.” Soliva ainda explica que a maioria dos tratamentos realizada é em Ortopedia Funcional e completa: “Creio que pela dificuldade de instalação, os aparelhos fixos não podem ser executados em domicílio na maioria destes casos”.

 

Idosos: mínima intervenção

Alexandre Miranda, que atende principalmente idosos dependentes, principalmente portadores de demência senil, também fala que baseia seus atendimentos de acordo com o planejamento clínico do caso. “Nem sempre consultórios portáteis e outros equipamentos são necessários, já que a assistência odontológica que presto é de mínima intervenção, principalmente para higienização, remoção de tártaro, eliminação de focos de inflamação, infecção e dor, confecção e ajustes de prótese e restaurações atraumáticas (ART).”

Almir Oliva Filho também conta que procura soluções de resolução rápida, evitando tratamentos complexos e sofisticados, devido às condições de saúde dos seus pacientes, e faz uma ressalva: “Com os equipamentos atuais conseguimos fazer praticamente todos os procedimentos realizados em consultório, porém não temos o ambiente ergonômico e confortável para o profissional”.


Biossegurança é importante

O CD Dalton Costa também chama a atenção para a biossegurança no atendimento em domicílio, que deve ter os mesmos cuidados adotados no consultório. “É preciso sempre lembrar que estes pacientes são fragilizados emocional e imunologicamente. Portanto, devemos nos preocupar em não levar infecção externa para seu leito e casa, e o lixo produzido deve retornar ao consultório para ser dado seu destino adequado.” Além de se adaptar tecnicamente ao atendimento realizado em casa, o cirurgião-dentista deve estar disposto a se adaptar ao ambiente, horários e comportamento de cada paciente, com paciência e habilidade profissional.


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