menu

SERVIÇOS

Amálgama: como proteger o meio ambiente, o pessoal e o onsultório

O amálgama é usado com eficácia há mais de 150 anos. Sua durabilidade e uso em grande variedade de aplicações clínicas fazem dele um dos materiais den­tá­rios restauradores mais empregados na Odontologia, principalmente pelo custo-efetividade que apresenta e, em conseqüência, por atender políticas públicas de saúde oral.

Apesar dos esforços em pesquisas terem sido centrados, nos úl­timos anos, na elaboração de ou­tros materiais restauradores den­tários, não se dispõe atualmente de outro material para obturação direta que possa substituir o amál­ga­ma universalmente, tanto pela fácil manipulação como pelas pro­prie­dades físicas, segundo decla­­ração sobre o assunto emitida pela Federação Dentária Internacional (FDI).

Mesmo com a entrada das novas cerâmicas, que se destacam também por seus aspectos estético e de adesibilidade, ainda há bastante campo para o amálgama de prata na prática clínica. Na maioria dos pacientes, o amálgama é um material extremamente seguro, com comprovada eficácia e longevidade. Porém, como ele contém mercúrio, a FDI expressa sua preocupação quanto ao efeito potencial sobre cada paciente, sobre o pessoal auxiliar e o meio ambiente, por ser o mercúrio bioacu­mu­la­tivo.

Assim, a FDI e outras entidades que defendem o uso do amál­gama também alertam para os riscos do uso e da destinação final do material. Em documento divulgado em Dubai (Emirados Árabes), em outubro de 2007, há uma série de considerações sobre o assunto, chamando a atenção para efeitos locais adversos e também para a saúde como um todo, e não apenas da boca, que podem resultar das restaurações com amálgama.

No documento, a FDI reforça a segurança do uso do amálgama em restaurações dentárias e dá as seguintes orientações:

1. Do uso

  • Do amálgama dentário se liberam muito poucas quantidades (nanogramos) de mercúrio, sendo algumas absorvidas pelo organismo
  • Há uma relação positiva entre o nível de mercúrio na urina e o número de restaurações de amálgama, mas que também pode ser devido ao efeito de outras fontes além do amálgama
  • Não há evidência que demonstre relação entre a presença de restaurações de amálgama e enfermidades crônicas degenerativas, doença renal, autoimune, função cognitiva, resultados adversos de maternidade ou qualquer outro sintoma não especificado
  • Na mucosa adjacente às restaurações de amálgama podem ocorrer reações de hipersensibilidade local, ainda que extremamente raras e que geralmente se resolvem com a remoção do amálgama
  • Será conveniente continuar pesquisando os possíveis efeitos adversos do amálgama
  • As alternativas ao amálgama também podem produzir efeitos adversos

 

2. Segurança do amálgama dentário

  • Considera-se que as restaurações de amálgama são inócuas, mas que os componentes do amálgama e outros materiais restauradores podem causar, em certos casos, efeitos secundários locais ou reações alérgicas. Foi demonstrado que a pequena quantidade de mercúrio que escapa das restaurações de amálgama, especialmente durante a colocação e remoção, não provoca nenhum outro efeito adverso à saúde.
  • Devido à preocupação sobre os efeitos adversos do mercúrio, alguns pacientes, com ou sem sintomas, podem pedir a remoção de suas restaurações de amálgama. Ainda que haja estudos de casos e informes gerais, até hoje não foram publicados estudos controlados que demonstrem efeitos negativos.

Também foram revisados pela FDI, em 2007, outros itens da Declaração. São eles:

Higiene

Inclui recomendações sobre o manejo do mercúrio pré-encapsu­lado, uma vez que é esta a técnica preferida.

1 . Conheça bem os aspectos principais relacionados à possível exposição ao mercúrio

2 . Evite o contato direto da pele com o mercúrio ou com o amál­ga­ma dentário que acaba de ser misturado

3. Evite a exposição às possíveis fon­tes de vapor de mercúrio:

  • derramamento acidental de mer­cúrio
  • amalgamadores defeituosos
  • cápsulas de amálgama defeituosas
  • durante a trituração
  • durante a colocação e conden­sação do amálgama
  • ao polir ou remover o amálgama
  • vaporização do mercúrio de instrumentos contaminados
  • armazenamento aberto de sobras de amálgama ou de cápsulas usadas

4 . Ensine o pessoal auxiliar que trabalha com mercúrio e amálgama dentário a como manejá-lo e advirta-o sobre os possíveis perigos do vapor do mercúrio e sobre a necessidade de observar as boas normas de higiene

5 . Instale superfícies impermeáveis e fáceis de limpar, como material sem emendas para o piso, que cubra até as paredes.

6 . Trabalhe em espaços bem ventilados, com boa troca de ar fresco e escapes externos. Em locais com ar condicionado, os filtros devem ser trocados periodicamente

7 . Utilize amálgama pré-encapsu­lada para:

  • eliminar a possibilidade de derramar o mercúrio
  • eliminar o dispensador de mercúrio como fonte potencial de exposição ao vapor de mercúrio

8 . Utilize um amalgamador com braços completamente fechados e que siga a especificação internacional da OIN/ISO 7488.

9 . Se possível, feche de novo as cápsulas de uso único depois de as ter utilizado Coloque-as em um recipiente fechado e se desfaça delas utilizando os serviços de uma empresa que maneje resíduos de amálgama

10 . Utilize sistemas de evacuação de mercúrio de alta velocidade (com filtros ou defesas no circuito), durante a finalização da remoção do amálgama

11 . Limpe os instrumentos contaminados com amálgama antes da esterilização ou desinfecção por calor

12 . O mercúrio, o amálgama ou qualquer instrumento utilizado com o amálgama não deve ser aquecido

13 . Para os resíduos de amálgama, siga os melhores protocolos estabelecidos. Recupere-os e envie-os a uma companhia de reciclagem de mercúrio os seguintes itens:

  • Cápsulas de uso único já usadas
  • Sobras de amálgama contaminados ou não com fluídos do paciente, como restos de amálgama das restaurações removidas
  • Defesas de circuito do depósito que contenham resíduos de amál­gama
  • Filtros de bombas a vácuo ou outros dispositivos de coleta de amál­gama se contiverem o material
  • Dentes extraídos que contenham restaurações de amálgama
  • Não coloque resíduos de amál­gama em recipientes de descarte infectados ou no lixo comum
  • Utilize limpadores de sucção (por exemplo, limpadores sem cloro), que minimizam a dissolução do amálgama
  • Não utilize sabão ou outros limpadores que contenham cloro para limpar as linhas de água do despejo
  • Utilize um separador de amál­gama que cumpra as normas internacionais de ISO/OIN 11143

14. Deve-se limpar todo o derramamento de mercúrio, qualquer que seja a quantidade, obedecendo-se as seguintes recomendações:

  • Utilize uma cinta adesiva ou uma seringa hipodérmica para recolher as gotas
  • Não utilize nunca aspirador de nenhum tipo
  • Não utilize produtos de limpeza doméstica
  • Não despeje ou permita que se jogue o mercúrio na água corrente
  • Não utilize escova ou pincel para limpar o mercúrio
  • Até que se elimine tudo o que foi contaminado com mercúrio, não permita que as pessoas cujos sapatos possam ter tido contato com o produto caminhem ou se distanciem da área na qual ocorreu o derra­mamento
  • Se deverá comprovar a presença de vapor de mercúrio no consultório odontológico preferivelmente todos os anos, ou depois de feita a limpeza de um derramamento de mercúrio
    Fonte

Federação Dentária Internacional, Declaração sobre Segurança do Amálgama, divulgada em outubro de 2007, em Dubai (EAU)

Site: www.fdiworldental.org


FORP/USP tem guia prático

O Guia Prático sobre Resíduos de Amálgama Odontológico (Projeto Fapes 01/01º65-1, coordenador pelo prof. dr. Jesus Djalma Pécora, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto-FORP/USP) também traz informações sobre uso e despejo do amálgama odonto­ló­gi­co, tratando desde riscos de contaminação do meio ambiente ao treinamento do pessoal auxiliar.

Dados do guia apontam que, de acor­do com o Ministério da Saúde, 30% do amálgama preparado é liberado para o meio ambiente sob a forma residual. Em média, o cirurgião-dentista utiliza 2 g de amál­gama em cada restauração, estimando-se produção de 80 kg por ano na rede pública municipal (de Ribeirão Preto). Deste total produzido, há 30% de perdas, gerando anualmente em torno de 24 kg de restos, contaminando o meio ambiente.

Meio ambiente

O mercúrio tem impacto especial no meio ambiente porque é bio­acumulativo. Em face disso, muitos países introduziram regulamentos para o tratamento do mercúrio nas vertentes das estações de tratamento de águas servidas. Identificou-se que as clínicas odontológicas são uma das fontes de descarga de mercúrio no meio ambiente de­vido ao trabalho de colocação ou remoção de restaurações com amál­gama.

O amálgama dentário contribui potencialmente à contaminação do meio ambiente com o mercúrio, por meio de sua descarga nas águas de despejo, de sua sedimentação no lodo das águias servidas, nos aterros e resíduos e por sua incineração.

Do guia também consta a orientação sobre cuidados importantes que devem ser tomados

1- Uso da menor relação possível de mercúrio na liga

2- Uso de amalgamadores mecânicos seguros, que não apresentem vazamentos de mercúrio

3- Uso de isolamento absoluto para evitar queda de amálgama na cavidade bucal

Nota: a mucosa do assoalho da cavidade bucal é altamente permeável

Em casos de remoção de uma restauração de amálgama, os cuidados a serem tomados são:

1- Uso obrigatório de isolamento absoluto

2- Uso de brocas novas para cortar mais rápido e gerar menor aquecimento

3- Uso de água gelada no reservatório do alta rotação, pois se a tem­peratura for abaixada, menos mercúrio é emanado da restauração

4- Uso de máscara, tanto para o profissional, pessoal auxiliar, como para o paciente

5- Uso de sucção de alta potência durante o processo de remoção da restauração para que o mercúrio emanado não entre em contato com as pessoas e permaneça no consultório


Fonte

Guia Prático sobre Resíduos de Amálgama Odontológico (Projeto Fapes 01/01º65-1, coordenador pelo prof.dr. Jesus Djalma Pécora, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – FORP/USP)

www.forp.usp.br/restauradora/lagro/guia_pratico.html

RDC Anvisa n° 33/2003

Há informação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre classificação de resíduos, sendo que o item B2 trata de resíduos odontológicos (RDC Anvisa 33/2003)

B2) Odontológicos – Os resíduos de revelador e fixador e de amálgama odontológico devem ser embalados e enviados para os centros de reciclagem desses produtos e ou de acordo com a Vigilância Sanitária Municipal.

Veja dados completos em

www.anvisa.gov.br/servicosaude/arq/residuos/base_legal.ppt

Penas contra crimes ambientais

A Lei 9605, de 12/12/98, dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Os que a infringem estão sujeitos a prestar serviços à sociedade e à interdição ou suspensão das atividades.

A íntegra do documento pode ser conferida em: www.lei.adv.br/9605-98.htm

 


Voltar ao índice do jornal
Edições anteriores

 

Untitled Document



 
 
 




 

Copyright © 2005 ABO - Associação Brasileira de Odontologia. Melhor se visualizado com resolução de 1024 X 768.
Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.