os estudos mais atuais estão permitindo um conhecimento melhor e mais detalhado de como o biofilme se desenvolve e, consequentemente, do processo evolutivo da doença. “Com estas novas informações, estamos descobrindo outras bactérias que também causam a cárie e como elas interagem entre si. Este é um novo conceito, que pode mostrar formas diferenciadas de tratar melhor esta patologia.”
As descobertas estão apontando para uma mudança na idéia, em que se acreditava antes, de que a cárie deveria ser combatida com o antimicrobiano para a bactéria específica, pois o novo enfoque está alterando a compreensão da microbiologia do sistema. E Bente completa: “Assim, a melhor forma de impedir a formação de lesão cariosa seria remover as bactérias causadoras e utilizar fluoretos. Por isso é tão importante usar dentifrícios fluoretados em qualquer idade, em qualquer situação, por toda a vida”.
Diagnóstico precoce
A professora dinamarquesa também destaca que, para a aplicação específica de fluoretos para combater a cárie, é muito importante conhecer bem o diagnóstico da atividade da lesão cariosa. Pensando nisso, ela desenvolveu um critério de diagnóstico baseado na atividade da doença, para que seja possível tratá-la e inativá-la precocemente, evitando a cavitação do dente. Segundo a pesquisadora, este critério é diferente do adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que foca na cavidade para identificar a lesão.
“O ponto forte do critério que desenvolvi é a não necessidade de intervir com brocas no elemento dentário”, diz Bente. Assim, esta abordagem de diagnóstico e tratamento da cárie busca evitar o Ciclo de Elderton, ou Ciclo Restaurador Repetitivo, que descreve situações de constantes restaurações que levam à perda do elemento dentário.
Orca na América Latina
Foi anunciada recentemente a realização do Congresso Europeu de Pesquisa em Cariologia no Rio de Janeiro, em 2012. Esta vai ser a primeira vez que o evento, promovido pela Organização Européia de Pesquisa em Cariologia (Orca), acontece na América Latina.
O congresso já tem como vice-presidente Sonia Groisman, professora adjunta e coordenadora da Especialização em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-graduada em Cariologia pela Universidade de Lund (Suécia). Sonia também é membro da Orca e, a partir de 2009, vai fazer parte do board da organização.
Informações :
www.orca-caries-research.org |